quarta-feira, 24 de junho de 2015

A POLÊMICA QUESTÃO DOS TRIBUTOS.

ESBOÇO:
Tema: A QUESTÃO DO TRIBUTO
Texto: (Mt 22 15-21; Mc 12 13-17; Lc 20 20-26).


INTRODUÇÃO:

         Dado a relevância do assunto acerca do pagamento dos tributos, notadamente para o mundo da época, quando o império romano dominava e fazia valer suas vontades sobre todos os continentes, os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), se preocuparam em registrá-lo com razoável riqueza de detalhes, haja vista as divergências de ordem religiosa e política existentes entre judeus, romanos e herodianos. A seguir, veremos uma abordagem fundamentada a respeito do tema A "Questão do Tributo", inclusive nos dias atuais da igreja do Senhor. 

I – A TRAMA DOS FARISEUS

1.    A tentativa de apanhar Jesus em alguma palavra.

Os fariseus constituíam um dos principais grupos rivais no ministério terreno de Jesus (Mt 9 32-34). No caso em tela, eles se aliaram com os principais sacerdotes e herodianos e, após arquitetarem sobre como surpreenderem a Jesus em alguma falha que pudesse comprometê-lo perante as autoridades romanas, passaram a executar o astucioso plano (Lc 20.21; Mc 12.14; Mt 22.16). É importante ressaltar que as referências aqui são reais, portanto aludem ao mesmo assunto.

2.    Os herodianos (Lat. Herodiani).

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, “Os herodianos são mencionados em três passagens dos evangelhos, com relação a dois incidentes: O primeiro na Galileia (Mc 3.6); e o segundo, em Jerusalém (Mc 12.13; Mt 22.16), onde eles são associados aos fariseus em sua oposição ao Senhor Jesus (...). Eles não são mencionados em nenhuma outra fonte antiga, prova de que não representavam nenhuma seita religiosa nem um grupo político organizado. A palavra é de formação latina, e indica partidários de Herodes (...). Da sua pergunta com respeito ao dinheiro dos tributos (Mt 22.17), fica claro que eles também eram leais ao governo romano do qual dependia a dinastia de Herodes”.

3.    Um elogio falso.

Nesta vida precisamos ter muito cuidado com os elogios, pois nem todos correspondem à verdadeira intenção do coração. Os fariseus juntamente com os herodianos aproximam-se de Jesus com palavras elogiosas, todavia, conforme já vimos no sub-tópico nº 1, o que eles tencionavam mesmo era apanhar o Mestre em alguma contradição de palavra, com o fim de entregá-lo às autoridades do império romano.

II – UMA PERGUNTA MALICIOSA.

1.    “É lícito pagar o tributo a César ou não?” (Mt 22.22).

É evidente que os judeus jamais concordariam em que se pagasse o tributo ao imperador de Roma. Segundo nota de roda pé da Bíblia Shedd, se Jesus dissesse: “É lícito pagar tributos a César” seria considerado traidor do povo. “Se dissesse “não”, então isto seria o suficiente para que os herodianos começassem a querer entrega-lo aos romanos”. Fica explicado, portanto, o plano malicioso previamente elaborado pelo grupo opositor do Senhor Jesus. Juntos, fariseus e herodianos preparam uma "armadilha" no intuito de flagrarem o Senhor em algum equívoco.

2.    Uma resposta sábia.

Como onisciente, o Senhor Jesus, conhecendo a malícia da indagação dos seus oponentes, responde-lhes: “Por que me experimentais, hipócritas”? Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E Ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então lhes disse: “Dai, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Bíblia SHEDD – ARA). Ou seja, não dar pra confundir uma coisa com a outra. O que é de César, é de César. O que é de Deus, é de Deus. Cabem aqui algumas considerações concernentes à resposta do Mestre Jesus:

a) “Dai, pois a César o que é de César”. Jesus foi cirúrgico em sua resposta contrariando o que esperavam os herodianos e fariseus, de tal modo que os deixou admirados e emudecidos (Lc 20.26 – ARA). Ou seja, a forma com que Jesus os respondeu não agradou a nenhum dos dois grupos. Não era o que eles esperavam. Aliás, de acordo com nota explicativa da Bíblia de Estudo Shedd, “a resposta de Jesus vai diretamente para princípios: César (o Estado politicamente organizado) tem direito aos impostos porque o próprio Deus o deu (Rm 13 1-7). Os governos deste mundo sustentam-se com dinheiro colhido de impostos. O governo espiritual desenvolve-se com a “Moeda Eterna”: Amor, bondade, benignidade, fé. O Reino dos Céus não é deste mundo. Pertence a uma ordem de coisas espirituais, que não entra em conflito com os poderes terrestres naquilo que tem de legítimo. No tributo pago as autoridades cívicas, apenas se lhes retribui algo daquilo que oferecem”. Abrindo aqui um parêntese, preocupa-nos o fato de o Congresso Nacional Brasileiro haver recentemente aprovado uma emenda (JABUTI) ou coisa estranha que, “na calada da noite” incluíram na MP 668/2015, com o aval do senhor presidente da Câmara dos Deputados, na qual defende que as igrejas evangélicas sejam isentas da cobrança de tributos sobre as comissões que são repassadas aos pastores. Quanto a isso, eu particularmente defendo que, principalmente nos dias em que estamos vivendo, quando a corrupção moral e ética e a falta de transparência corroem a vida da nação, não só os líderes, mas as igrejas evangélicas sejam fiscalizadas, sim, e tenham seus impostos devidamente cobrados, desde que legalmente, claro. Se as demais instituições podem ser fiscalizadas, porque não às igrejas? E o ensino acerca da questão do tributo nos evangelhos sinóticos, como fica a partir de agora? Será que os líderes, e/ou gerentes de igrejas, já que estamos em crise de verdadeiros líderes, ainda terão coragem de falar sobre isso nos púlpitos de suas igrejas, ou vão omitir a parte que diz: "Dai a Cesar o que é de César" e ficar somente com a que diz "E a Deus o que é de Deus"? Que, aliás, na concepção de alguns é a parte que mais lhes interessa, não obstante a exegese equivocada que tentam estabelecer sobre o texto. Na mesma simetria o pastor Geremias do Couto, no tocante a isenção dos tributos pelas igrejas, diz em seu blog: “Infelizmente, continuamos com o mesmo modelo. Gostamos de construir templos imponentes, suntuosas catedrais, onde gastam - se rios de dinheiro, com a mesma aura de sacralidade repudiada no Novo Testamento. Na continuidade, pelas vias da informalidade, vê-se cada vez mais essa aliança entre a igreja e o Estado praticada em todos os níveis de governo sempre em busca de privilégios sob os mais diferentes argumentos, como, por exemplo: "O que estamos fazendo é pela causa", quando, aqui entre nós, a causa passa longe desses acordos, onde prevalecem vantagens com fins nada recomendáveis”.

b) E a Deus o que é de Deus”. Sobre essa declaração de Jesus alguns, expositores da Bíblia, se de má fé não sabemos, mas o fato é que eles fazem questão de enfatizar que se trata aqui dos dízimos que devem ser entregues à igreja. Entretanto, não é isso o que a Bíblia está falando, principalmente em o novo testamento. Aliás, conforme nota explicativa da Bíblia de Estudo SHEDD constante do item anterior, a expressão “E a Deus o que é de Deus”, se refere às coisas relativamente ao Governo Espiritual (Reino de Deus), e não a contribuições meramente eclesiásticas impostas por homens, como é o caso de alguns dízimos que são cobrados hoje, cuja finalidade não se sabe em face da ausência de transparência. Portanto, precisamos evitar as especulações, bem como quaisquer adaptações ao nosso modo, pois a Bíblia não pode se constituir objeto de manipulação humana. Ela é a Palavra de Deus!

3. A decepção dos opositores. 

Toda e qualquer oposição irresponsável acaba em frustração. Os dois grupos adversários diante da resposta sábia do Mestre, se retiraram em absoluto silêncio, pois além de não esperarem tal resposta, não tinham o que dizer frente a sabedoria do Senhor Jesus que não costumava jogar palavras ao vento. Sempre que falava, o fazia com maestria e poder (Mt 22.22), deixando os seus ouvintes abismados.

CONCLUSÃO: 

Considerando os argumentos acima, aprendamos que os tributos, sejam eles justos ou não, devemos pagá-los, pois ao crente não convém sonegar impostos. Além do mais, é nosso dever enquanto cidadãos contribuir com o desenvolvimento da nação à qual pertencemos. Por outro lado, qualquer dispositivo legal que vá de encontro ao que dispõem as Escrituras nesse sentido,  deve ser por nós contestado.







Referências Bibliográficas:


. Bíblia de Estudo Pentecostal
. Bíblia de Estudo SHEDD
. Blog do Pastor Geremias do Couto
. Bíblia de Estudo Explicada
. Dicionário Bíblico Wycliffe



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